Escreva! - desafios de escrita criativa
Desafio do mês: emoções humanas
Escolha uma emoção humana e descreva-a usando metáforas, comparações, imagens, o que quiser.

Modalidade: livre
Palavras: até 500 palavras


Desafio patrocinado por:
Desafio criado por: Dunyazade
12 participações
Laura
ParticipaçãoEnviado: 30-12-2005 19:09     Título: 2,3,2,1  
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Registo: 14 Nov 2005
Mensagens: 0
Participações: 2
Local/Origem: Lisboa


- Conhecíamo-nos há muito, estávamos sempre juntos, eu e a minha
Imagem, éramos dois.
- Estou farto, disseste.
- Um dia apareceu o teu Corpo, estranha sensação, ver-te de repente
andar, sorrir, falar, abraçar, rir, cantar, tornámo-nos três.
- Não existe mais nada, isto é só uma questão de hormonas.
– E tudo, tudo foi tão fora dos dias.
- Não precisamos disto.
- Falavas-me de labirintos, de meninos que viviam dentro de facas,
de cavalos que se esforçavam por ser andorinhas.
- Tu não precisas disto.
- E o vento sempre perfeito.
- Eu não preciso disto.
- Um dia puseste-me ao pescoço um colar de flores de porcelana que,
de tão precioso, não consigo ainda usar.
- E já nem olho para trás, quanto mais para a frente.
- A não ser naquele dia em que me ofereceste os cem poemas de amor
de outras línguas e lemos alguns, eu espreitava por trás do teu
ombro enquanto nas tuas mãos falavam os poetas.
- E também já não tenho pena.
- Depois jantámos e eu agarrada ao colar equilibrei-me sobre carris
de comboio. Acabámos por adormecer numa toca.
- Já não consigo ter pena de nada, mesmo de nada, vincaste.
- Olhava para ti. Ria-me, muito, ria-me tanto.
- Ainda bem que não tivemos filhos.
- Conhecia a voz da minha Imagem, o comprimento dos seus braços, o
tamanho das suas mãos. E a altura do seu pescoço era perfeita para
encostar a minha testa. A minha Imagem tinha entrado no teu Corpo,
tornámo-nos dois.
- Embuste, não passas de um embuste.
- Eu, ao contrário, penso que o tinha perdido, o meu Corpo, talvez
por me sentir sempre a voar.
- A tua vida não passa de um embuste. A tua vida toda não passa de
um perfeito e completo embuste, repetiste.
- Já o voltei a encontrar, tornei-me uma.
Desligaste.
Agora ponho o chapéu de feltro com cerejas e vou ouvir uivar o cão
assírio. Que os dias te sejam sempre limpos, todos eles.

2,3,2,1: Copyright © 2005 Laura

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Estatísticas de votação para 2,3,2,1 Votos: 5   Classificação média: 6.4
conversasdecafe
ParticipaçãoEnviado: 29-12-2005 3:14     Título: Angústia  
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Registo: 16 Dec 2005
Mensagens: 6
Participações: 2
Local/Origem: coimbra / braga


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Ridículo. Estranha forma de ser. Mente adormecida no onírico. Alma sossegada, corpo acelerado e vigoroso. Ridículo.

Nas nuvens do real, alguém disse. Ninguém falou. Estranha forma de ser. De frente para o mar das cores, o ser escolheu o vivo. Esqueceu a vida. Porque o pensamento também é dor. Porque a alma também é triste. Emoção e afecto. Um modo de vida. Paixão de sentir. Ódio ao sofrer. Vontade de saber que o céu é um arco-íris numa bruma submersa. Que alguém existe. Que a moda não é só uma. Que pensar é mais do que raciocinar.

Vontade de ver o lado de cá melhor que o de lá. E seguir pela estrada ridícula do ser adormecido, acreditando. É ridícula, a angústia.

Angústia: Copyright © 2005 conversasdecafe

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Estatísticas de votação para Angústia Votos: 6   Classificação média: 6.5
aferro2
ParticipaçãoEnviado: 21-12-2005 0:17     Título: hoje escrevi  
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Registo: 08 Sep 2005
Mensagens: 12
Participações: 9
Local/Origem: Lisboa


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O recontro que não chegou senti atravessar a sala, seguindo o corredor em frente, entrando na porta à esquerda e por fim agitando as folhas brancas em cima da secretária ao fundo do quarto; que vibraram por alguns segundos num movimento sinuoso que se suspendeu por um instante, secreto, que se fecha agora, caindo. E sofro o prenúncio do frémito no agarrar da caneta, ao ver o tremer da mão, no sentir do cessar do momento que preciso escrever, que sinto aproximar, aqui sentado ao longe, imaginando, sofrendo, ponderando o chegar de qualquer coisa que não basta, e que se perde em definitivo com o eco dos meus passos nas folhas de papel escritas à mão que agora caiem, na breve reminiscência inscrita no papel pisado. Deito-me no chão, oiço o barulho que acompanha o movimento do meu corpo, e olho o tecto sentindo-me fisicamente dissolver. A aproximação não ultrapassará o estado intermédio da nossa condição, nada bastará, nada será definitivamente completo. Mas sentindo o eco destas palavras, que alguém grita continuamente, ergo o corpo, sentando-me de novo para reescrever: “haverá Deus e um Deus só”.

hoje escrevi: Copyright © 2005 aferro2

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Estatísticas de votação para hoje escrevi Votos: 4   Classificação média: 3.75
aferro2
ParticipaçãoEnviado: 21-12-2005 0:14     Título: "torna-se-me impossível viver" *  
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Registo: 08 Sep 2005
Mensagens: 12
Participações: 9
Local/Origem: Lisboa


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Sonho desfeito, gente fétida. Pergunto o que vejo e choro sozinho a Inexistência; sim, creio no nada, na ausência de nós, que lemos e escrevemos numa só folha, na superfície da sua lugubridade lânguida, igualmente imaginária, e preenchemos o Seu vazio, o Universo. Só isto existe em mim, a angústia de saber que a humanidade não é exacta. Na continuidade há o nada. Só a criação conhece, e se aproxima, lê difusamente a substância da existência; conclui a nefasta impossibilidade de viver, o impedimento de existirmos ignorando a ciência que criou; a minha sente o vazio, a privação, a tristeza de um universo concebido para limitar e confinar os espíritos, alimentando-os com a desordem, com o caos terrestre, quando… nada, ao fim e ao cabo, acontece efectivamente, ou vive. Sinto a estagnação do universo, a paralisia da vida, que na sua pequenina esfera desconhece o abandono, não procura explicá-lo; somos a criação de uma só época, de um dia só, que vive absorta num estúpido e inútil movimento circular, imaginário, obedecendo. E depois olhamos o céu, e o pensamento aceso, e o entendimento rarefeito, e todo o sentido da Vida, chora, ávido, o abandono. Sentirei este desamparo, como uma ténue incursão no tempo infinito, confundido entre o sonho e o adormecimento, como um abalo que contraria a vida. E a significação ulterior, a convicção reinante, seriamente imperfeita, que compreendo como fatalidade, recusa viver em consonância.* Título. Leon Tolstoi, in 'Ana Karenina'

"torna-se-me impossível viver" *: Copyright © 2005 aferro2

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aferro2
ParticipaçãoEnviado: 20-12-2005 22:52     Título: Anotações  
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Registo: 08 Sep 2005
Mensagens: 12
Participações: 9
Local/Origem: Lisboa


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Em tempos fiz um pedido, depois deixei de pedir e logo logo deixei de prometer. Mas antes disso seguia deambulando num espaço sem formas. (agora que penso…o espaço é o mesmo; livre e poeta). Mas era diferente, dizia que era sem formas, sim, e andava às apalpadelas, como num quarto escuro, numa casa estranha, num sonho interrompido de súbito, na gravidade de um acordar inesperado. Ainda em sobressalto enchia os pulmões e procurava um ponto familiar. Sim, era isto que sentia. Um acordar num quarto estranho, sem luz, sem nada a dizer-me para onde ir, ou onde ficar. Era eu e as imagens que criava, que sustinham o peso do meu corpo, que recriavam o que pensava, de luz apagada, sempre no escuro. Construía, e recriava-me. Ainda hoje não sei se sou eu que o faço. Mas fi-lo (ou fez-se), sabendo que um dia eu nasceria novamente. E assim me demorei, e me demoro, numa gestação ora angustiante ora, a espaços, feliz. Mas abria os olhos e o ruído, fora do quarto, sempre longe, sempre insuficiente, sempre incapaz de poder acender uma luz e indicar-me o caminho, sempre incapaz de sequer abrir uma frincha e criar um ponto de luz reconhecível, longe de mim. Longe como que fugindo. Ainda o sinto, experimento a conivência com que cicia, com que me esquece e me diz que estou sozinho quando estremeço.

Anotações: Copyright © 2005 aferro2

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MarlonBrandy
ParticipaçãoEnviado: 19-12-2005 13:45     Título: Medo  
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Registo: 14 Dec 2005
Mensagens: 517
Participações: 42
Local/Origem:


Entrámos para uma sala apertada, soturna e profusamente decorada com plantas naturais; o verde sobrepunha-se ao castanho do mobiliário. A claridade chegava-nos esbranquiçada, filtrada através de ripas de madeira entreabertas que compunham os estores nas janelas. Podiam ver-se grãos de pó a flutuarem pelo ar.
‘Sentem-se, por favor,’ disse-nos, apontando para uma mesa sólida, feita de carvalho escurecido, ‘aquilo que tenho para vos contar pede tempo e tranquilidade.’
Ele sentou-se em último, à cabeceira, depois de se assegurar que estávamos confortáveis.
‘Quando vos contactei, pensei que não teriam interesse em ouvir-me. Não esperava um batalhão de repórteres…’
‘A sua história interessou-nos sobremaneira. Espero que não se importe se lhe tirarmos algumas fotografias…’
‘Não, com certeza, façam o vosso trabalho.’
Coloquei o gravador em cima da mesa e carreguei no botão vermelho.
‘Quer começar então, Sr. Baptista?’
O velho franziu o sobrolho e olhou-me fixamente. Os seus olhos tornaram-se luzidios.
‘Certo. Perdoem-me o nervosismo…
Pequenas gotas cristalinas brotavam-lhe à face da testa, em torno dos limites capilares. Embebeu-as num lenço branco. O suor voltou a emergir segundos mais tarde.
‘Foi através de uma notícia que revivi tudo de novo: li o título, “Casa assombrada demolida em Águeda”, e não tive coragem para ler o resto. Levantei-me da esplanada, dobrei o jornal em quatro e deitei-o fora. Desde então que não durmo nem como. Foi há uma semana.
«Dizem, aqueles que nunca sentiram os terrores do medo, que o amor e a paixão são os mais fortes sentimentos humanos. Pura ilusão... eles não sabem! O medo, o verdadeiro medo, aquele que vêm lá do fundo, de abismos que não julgamos existirem, faz-nos tremer a ponto de nos esquecermos das caras dos nossos próprios pais. Abraça-nos, sacode-nos, e finalmente verga-nos à sua vontade.
«Quantos de vós não já olharam para o passado, e ao fazê-lo não sentiram um leve enternecimento com as lembranças de paixões de outrora? Pois digo-vos uma coisa: os medos repetem-se, revivem-se como se não tivesse passado tempo algum. As paixões chegam e partem como navios. Algumas até partem deixando amor. Mas o medo, meus senhores, é o frio que nenhum calor pode aquecer!’
«Tinha doze anos quando fui passar umas féria àquela casa…,’ deteve-se por instantes, tossiu para dentro do punho fechado, aclarou a voz, e depois recomeçou.
‘Vivia num mundo calculado e protector originado pela educação severa a que estava sujeito. Nessa altura mantinha um pequeno diário onde relatava um dia-a-dia quase sempre aborrecido, e em que pontuavam poucos momentos de alegria.’
Pousou a mão sobre um caderno velho, de páginas secas e amarelas, empurrou-o para perto de mim, e disse:
‘Através dele vos deixo a história que pretendem ouvir. Não a consigo narrar de minha boca, ora por receio de me faltarem as palavras, ora por certeza de me tremerem os lábios, que certamente serão atiçados por fantasmas adormecidos.
«Desculpem-me…’
Levantou-se e saiu da sala. Só regressando ao fim de quase uma hora, quando já tínhamos lido cerca de meio diário.
A sua história é a seguinte…

Medo: Copyright © 2005 MarlonBrandy

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anaribeiro
ParticipaçãoEnviado: 18-12-2005 17:07     Título: O amor não existe  
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Registo: 02 Jul 2005
Mensagens: 1
Participações: 1
Local/Origem: sintra


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O amor não existe. Existo eu, existes tu. Existem as pessoas, os espaços, as coisas. O amor não é nada. Não é mais que um imaginário, um número inventado, uma carta esquecida. Amar não equivale a cortinados, nem a jantares, nem a um beijo de despedida.
O amor é simplesmente inútil, nulo, inconsequente, inapreciável, inoportuno. Fruto das desavenças da biologia. O amor não existe. Existem as nossas acções. Existimos nós. Existe tudo para além de amar.

O amor não existe: Copyright © 2005 anaribeiro

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Dunyazade
ParticipaçãoEnviado: 16-12-2005 9:37     Título: Raiva  
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Registo: 29 Jan 2005
Mensagens: 679
Participações: 92
Local/Origem: Lisboa, subúrbios


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Raiva não é a mesma coisa que ódio. O ódio é um navio que navega num mar infinito, nunca deixa de navegar, nunca ancora, jamais pára, não aporta. A raiva é como uma imagem na televisão, pungente, palpável quase, mas transitória – desaparece após desligarmos o televisor.
A raiva tem varões finos e dilacerantes de aço que saem de uma bola e trepam por mim acima, no interior do corpo, a bola está alojada no peito e os estiletes sobem até à garganta, colo, ombros, boca, dentes, os braços ficam tensos, as mãos formam punhos.

Às vezes a raiva dá-me para chorar. Respiro como um gorila da montanha, quietamente enfurecido, mas pronto a saltar, como uma mola, para cima de quem por ali passe.

A seguir acaba. Como se passassem o pano no móvel e o pó desaparecesse, eu volto a um estado de calma. O ódio é como uma lâmpada que nunca se apaga, a raiva tem um tempo finito. A lâmpada da raiva está sempre a fundir-se.

Raiva: Copyright © 2005 Dunyazade

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Estatísticas de votação para Raiva Votos: 4   Classificação média: 6
Pikena
ParticipaçãoEnviado: 16-12-2005 3:17     Título: Descrições  
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Registo: 04 Nov 2005
Mensagens: 2
Participações: 3
Local/Origem: Portugal


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Humm... Novo desafio: Descrever uma emoção humana...
Amor, Raiva, Paixão, Ódio, Amizade, Repugna, Tristeza, Saudade, Alegria, Carinho... será possível alguém conseguir realmente descrever uma emoção?! Traduzir fielmente para palavras aquilo que vai dentro de nós? Os Sentimentos e Emoções são únicos e variam de pessoa para pessoa. Para ti, estimado leitor que estás junto da pessoa que amas, o Amor é descrito como a melhor sensação de mundo. Para mim?! É dificil descrever como a sensação de Amar alguém pode gerar tantos outros sentimentos controversos dentro de nós, quando não podes estar junto da pessoa que queres. Atrevo-me mesmo a dizer ser impossível alguém conseguir descrever Amor. Milhares de anos, milhares de poetas e escritores, milhões de textos e poemas, e tu podes conseguir imaginar aquilo que o autor está a sentir, mas consegues tu senti-lo?!
Desculpem, mas para mim é impossível descrever qualquer emoção humana... talvez seja eu que estou errada, ou talvez não!

Descrições: Copyright © 2005 Pikena

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SweetSerenity
ParticipaçãoEnviado: 14-12-2005 22:02     Título: Desespero  
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Registo: 27 May 2005
Mensagens: 35
Participações: 12
Local/Origem: Barcelos


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Estou só, com medo, perdida e confusa... As palavras fogem-me tal como o choro que penso ser alívio. A capacidade de analisar evaporou-se, a razão ausentou-se... Não sei pensar e não sei sentir. Que sei eu afinal? O que ando a fazer? A réstia de inspiração que julguei ter aliou-se à razão e abandonou-me... Sinto que fiquei sem nada, nua e vazia. Um vazio diferente dos outros; um vazio que já não sei caracterizar; um vazio que me contorce e me agonia; um vazio que afinal me faz sentir. Não é, então, tão vazio assim... É mais um aperto junto ao peito que dificulta a respiração e me faz soltar gritos de silêncio. Sinto-me presa ao meu chão de repugna, aquele que me é tão familiar. É um desespero... Um desespero calado e disfarçado. Não daqueles que me faz trepar paredes, mas daqueles que me faz engolir a mim própria.


25 de Novembro de 2004







[É um texto um pouco velhinho, tendo em conta que, penso eu, desde aí evolui um pedacinho na escrita. Não escrevo nada satisfatório há já muito tempo, mas quis contribuir com este texto aqui no Escreva!, pois já reparei que anda um pouco... hmm... inactivo. É velho, talvez desajustado, pouco bonito, pouco explícito, mas é um pedacinho de como me sentia e exprimia na altura.]

Desespero: Copyright © 2005 SweetSerenity

(220 palavras) De momento, não é possível votar neste desafio; é necessário fazer o registo para poder votar quando for possível.
Estatísticas de votação para Desespero Votos: 4   Classificação média: 5.5
aninhas
ParticipaçãoEnviado: 11-12-2005 1:25     Título: Liberdade  
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Registo: 11 Dec 2005
Mensagens: 1
Participações: 3
Local/Origem:


Só quero abrir asas e sentir o vento em mim
Fazer parte do céu, das nuvens, do sol
E que eles façam parte de mim
Quero sentir tudo e ao mesmo tempo não sentir nada
Quero voar! Voar sem nunca para!
Chegar às estrelas e ao infinito
Chegar mais além do que qualquer outro
Atingir o limite sem nunca olhar para trás

Quero voar até à exaustão!
Voar com alma e coração
Se um dia parar , deixarei de existir
Porque sem voar não consigo sentir
Porque sem voar minha alma transforma-se em algo que não quero ser
Em algo sem sentido nem definição

Pois minha alma é como um pássaro
Precisa de voar
Voar sem rumo nem direcção
Voar só por voar

Liberdade: Copyright © 2005 aninhas

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Estatísticas de votação para Liberdade Votos: 3   Classificação média: 5.67
lune
ParticipaçãoEnviado: 05-12-2005 0:06     Título: Paixão  
Registo: 03 Dec 2005
Mensagens: 0
Participações: 2
Local/Origem:


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A paixão suga-nos da realidade que tanto nos apavora, embraça-nos, e levita o nosso corpo até á alma, sentindo um leve sopro
quente, um tocar sensual arrepiando o sexo,
palpita, palpita....
cega, moi, larga, e rebola de euforia, mas para quê tanta emoção, tudo da mente, tudo ilusão.
Se sei eu que nada existe nesse campo que criei, porque me abandono assim?
Gosto de viver na mentira ou as emoções fazem de mim o que sou?
Nem que seja temporário, aqui estou, a sentir, a gostar do que sinto.
Sente esta penetração no teu corpo, sente e deixa-te levar, só mesmo a mente que nos fará sentir tal emoção.
Consigo ter-te aqui a meu lado, mesmo não estando, consigo sentir-te dentro de mim, mesmo não estando,
Não terei eu a fazer amor comigo mesma?
Será???
Que bela imagem do meu ser, que ardor desconhecido este?
Leva-me, mas leva-me para bem longe daqui, para o desconhecido, mesmo continuando eu aqui, sem saber, leva-me...
Toca-me, eu sinto, eu desejo, basta um pensar para te apoderares de mim, para ser tua, somente tua neste momento de extase,
Nesta loucura pegada do ser ou do sair do meu mundo básico.
Ahhh, sinto o meu peito, toco nele, mas és tu quem realmente o tem, busco sensações no meu corpo, que se apoderam de uma sensualidade infinita, leva-me, mas leva-me para bem longe, para longe de mim,
De quem me transformei, fazendo-me encontrar em quem realmente sou, por um momento.
Jaci

Paixão: Copyright © 2005 lune

(247 palavras) De momento, não é possível votar neste desafio; é necessário fazer o registo para poder votar quando for possível.
Estatísticas de votação para Paixão Votos: 3   Classificação média: 4.67



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